[Resenha] Logan

Por Mariana Pellegrini*

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Que. Filme.

Se já assistimos há tantas adaptações e buscamos referências em tantas formas de mídia entre filmes, animações e quadrinhos nas últimas décadas, e é com Logan que temos a sensação plena de imersão e completo entendimento do universo mutante da Marvel.

Este é um filme adulto, que traz uma abordagem nova e ousada que fazia falta ao personagem vivido há cerca de 17 anos por Hugh Jackman no cinema. Wolverine pode não estar caracterizado como conhecemos, com seu uniforme clássico ou corte de cabelo característico, mas ainda assim, está formidável em seu estado mais velho e decadente, sem deixar de lado seu instinto animalesco, selvagem e furioso.

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Tirem as crianças da sala: a fita reserva altas doses de selvageria, pra fã nenhum botar defeito.

A história se passa em um futuro próximo onde não nascem mais mutantes, e os que restam sofrem perseguição e têm seus DNAs clonados para que o governo possa criar novos soldados a partir deles. Charles e Logan, quase pai e filho, juntos têm de enfrentar a última missão em nome dos X-Men para salvar um grupo de crianças mutantes criadas em laboratório, que se tornam a esperança da raça em extinção.

Envelhecido, com olhar cansado e corpo fragilizado, Logan trabalha como motorista enquanto cuida do Professor X em um lugar esquecido, e busca a fuga da realidade através da bebida já que não parece se perdoar por todos os acontecimentos do seu passado. Planos abertos e cenários desolados demonstram a ruína em que a própria vida deles se transformou.

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Xavier é o motivo que mantém Logan vivo: o pupilo cuida do mestre até o fim, quando uma doença mental afeta o domínio dos seus poderes e transforma o nonagenário professor em uma ameaça a todos que o cercam. A maquiagem impecável deixou ambos com um convincente aspecto debilitado, e o próprio sentimento que os protagonistas transparecem são de dor e decadência.

E o destaque fica para a pequena e furiosa Laura (Dafne Keen), a criança mutante X-23 acolhida pela dupla, numa atuação que lembra a poderosa e calada Eleven de Stranger Things com uma potência selvagem que se compara apenas a do grande protagonista.

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A narrativa difere da linguagem alegórica e fantasiosa dos demais filmes da franquia e Logan é um filme que se sustenta sozinho; ousado, violento, sombrio e brutal. O banho de sangue que fez falta em todos os filmes anteriores torna o longa, fácil, o melhor dos X-Men até o momento, ou pelo menos, o menos romantizado e mais adulto e duro possível.

Logan volta a nos trazer o devido respeito ao personagem Wolverine, que talvez estivesse desgastado depois de tantas produções cansativas e de certa forma duvidosas dentro do universo dos super heróis. Wolverine agora não é mais imortal: suas cicatrizes físicas e emocionais, que já nos emocionaram no trailer ao som de “Hurt” de Johnny Cash, comprovam em Logan que finalmente nosso (anti)herói está de volta. E infelizmente, parece que pela última vez.

Snikt e Beijocas!

*Apaixonada por desenho, doces, brinquedos e Star Wars. Tem um fraco por coisas antigas desde o tempo que usava Melissinhas, trabalha como ilustradora na Alopra Estúdio e customiza Blythes, bonecas com influência vintage responsáveis pelo resgate da moça ao mundo das coleções.

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Alexandre Lopes

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