BANQUINHA DE BONECOS – Entrevista com Alexandre Pezolato, da APTOYS.

Alguns colecionadores vão muito além de apenas terem suas figuras expostas em suas prateleiras e participar de fóruns ou comunidades sobre colecionismo, transformando o hobby em negócio, seja para atender a demanda dos outros amantes do tema, por questões financeiras ou por realização de algum sonho contido no assunto.

Muito antes das “lojas chiques” e dos “colecionáveis”, os colecionadores recorriam ao mercado informal para adquirir seus bonecos. Alguns desses intermediários se tornaram lojas físicas. Outros, preferiram permanecer com a atividade virtual, hoje mais “profissionalizada”, a qual ainda leva uma grande fatia do mercado.

Convidamos hoje um dos mais antigos vendedores de bonecos na internet, para comentar sobre sua coleção e sobre a evolução do mercado de figuras de ação e estátuas.

Personagem

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Alexandre Pezolato (Aptoys)
–  http://aptoys.com.brhttp://lista.mercadolivre.com.br/_CustId_79775996 – 

TQ: Como e quando resolveu sair da posição de colecionador-consumidor e virar colecionador-comerciante?
AP: Na verdade, comecei a colecionar em 1984, quando ganhei meus primeiros Comandos em Ação (GI Joe), e acredito que a culpa foi deles, pois embora eu tenha colecionado um pouco de tudo durante o período compreendido entre 1984 a 2003. Eu tinha 90% dos Joes lançados no período entre 82 e 94 (somente os bonecos), tanto da linha nacional quanto da importada, os quais foram adquiridos com suados esforços. Porém, em 2003, devido a um problema particular, resolvi vender minha coleção e, com o valor recebido da venda, comprei um veículo 0km.

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TQ: Quais as principais diferenças entre o mercado de ontem e o de hoje?
AP: Acredito que eu tenha participado do início do mercado dos colecionáveis diferenciados. Lógicamente, tiveram outros antes, mas conforme já comentei com alguns amigos, talvez eu tenha sido pioneiro em proporcionar o fácil acesso aos itens tão cobiçados naquela época,  além de mostrar que era possível todos adquirirem a tão sonhada peça, sem ter que “vender a alma” para adquiri-la.

Sendo assim, a principal diferença está no acesso. Eu cresci olhando catálogos de brinquedos nacionais, desejando aqueles itens que não eram comercializados no Brasil. Hoje, basta fazer uma pequena busca na internet e conseguimos qualquer item, por mais raro que seja. Indiscutivelmente, a outra diferença está relacionada à economia do país, que também era outra, proporcionando uma vantagem incomparável.

No inicio do ano de 2000, haviam 5 ou no máximo 10 (chutando alto) vendedores. Hoje, são centenas. Basta um colecionador mudar o foco da sua coleção ou enjoar de algum item, que ele já passa a comercializá-lo. Há também aqueles que compram itens duplicados, simplesmente para vender um e pagar o outro.

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TQ: Atualmente, é mais confiável comprar pela internet?
AP: Sem dúvidas, a internet tomou conta do mundo e não podemos negar isso. Dessa forma, tudo se adaptou nesse sentido, incluindo a confiança, as facilidades e a proteção. Com certeza, o consumidor/colecionador não tem mais que se queixar quanto à isso. É logico que em todos os ramos e atividades tem sempre alguém querendo tirar proveito em prejuízo de outro, mas pode ter certeza que há inúmeras pessoas ou empresas totalmente confiáveis hoje, tornando a minoria “do querer tirar vantagem” insignificante.

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TQ: Qual é o “modos operandi” da sua clientela?
AP: Na verdade não é uma clientela. Hoje tenho amigos colecionadores, pessoas da qual fico feliz em poder proporcionar a suas respectivas aquisições. Tenho como um compromisso: Você coleciona isso ou aquilo, eu vou conseguir ou mesmo manter, de forma sequencial, (sem pulos) todos os lançamentos, permitindo que a coleção esteja sempre completa.

TQ: Objetivos: Além da questão financeira, sempre há uma meta (ou mais) a ser atingída, para satisfação pessoal no negócio. Quais são as metas já alcançadas e quais estão sendo perseguidas?
AP: Não vão assustar… mas não tenho mais metas. Na real, a aposentadoria já está chegando… (sobre isso podemos falar em outra oportunidade). Aliás, hoje estou só trocando figurinhas, mantendo a coleção, nesse hobby tão saudável. Porém, espero ainda poder ajudar muitos amigos colecionadores.

Embora tenha participado do “início”, acho que muita coisa legal poderia ter sido feita, mas acabou não sendo, e hoje ficam algumas dúvidas  de como teria sido, se eu tivesse feito isso ou aquilo. Graças à Deus, acho que eu fiz e continuo fazendo o meu melhor, inclusive dedicando muito mais tempo à profissão escolhida.

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TQ: Há crise no mundo dos bonecos, com a atual situação financeira do Brasil?
AP: Sim, a economia do Brasil está afetando diretamente os colecionadores brasileiros. Itens que estavam sendo comercializador por menos de R$50,00, hoje passam fácil da casa do R$120,00. Moeda desvalorizada, altos impostos e inflação,… embora saibamos que existem muitos colecionadores que não deixam a situação econômico-financeira afetar sua coleção.

TQ: Há um colecionador dentro do vendedor? Em caso positivo, do que é composta a sua coleção?
AP: Sim. Aliás, de corpo e alma. Minha coleção por anos foi formada por figuras de 6” (15/16cm), dentre elas Simpsons, Motus, Thundercats, Marvels, DC Universe, Cavaleiros do Zodiaco, Lego, estátuas, etc. Porém, depois que me aventurei a colecionar figuras 1/6 (Hot Toys, Enterbay, etc), não resisti e me desfiz de tudo, ficando somente com as figuras maiores e com os Legos.

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TQ: Conhecendo os 2 lados da moeda, o que falta no mundo dos colecionáveis, em relação à personagens esquecidos, escalas e produtos?
AP: Na minha opinião o mundo dos colecionáveis evoluiu demais. São tantos lançamentos que não dá para acompanhar. Haja bolso! Como exemplo, podemos tomar a diversidade de itens da Marvel e da DC. Quando lançam um filme ou um desenho, os colecionáveis já lotam as prateleiras semanas antes.

TQ: Comentários adiconais:
AP: Gostaria de agradecer pelo convite e  desejar todo o sucesso ao ToyQuest!

Clique para ampliar:

Agradecemos a participação do convidado e esperamos contar com o mesmo, nos próximos capítulos, para discussões mais específicas, pertinentes no mundo dos colecionáveis.

Sempre com o objetivo de aumentar a interação entre colecionadores e promover novas amizades, convidamos os amigos do Toyquest a visitarem a loja mencionada e nossas outras colunas, podcasts e vídeos.

Antes de sair, não deixe de passar no caixa e deixar seu comentário! Até a próxima!

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Alessandro Venturelli

Criatura mutante da era atômica que usa crocs com meia.

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